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Alice no País das Maravilhas

23 abr 2010

written by Memória Cinematográfica

Alice

É comum diretores e atores trabalharem juntos em várias produções, principalmente quando o resultado é positivo. Basta lembrar de Woody Allen e Diane Keaton e Scarlett Johansson; Paul Greengrass e Matt Damon. E vários outros. Pela sétima vez, o diretor Tim Burton escala o ator Johnny Depp para protagonizar o seu filme. Depois de “Edward, Mãos de Tesoura” (1990), “Ed Wood” (1994), “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (1999), A Fantástica Fábrica de Chocolate” (2005), “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007), além da animação em stop-motion A Noiva Cadáver” (2005), no qual um dos perso­nagens tem a voz dublada pelo ator, os dois estão juntos em mais uma produção com personagem estranho e nada convencional no longa-metragem “Alice no País das Ma­ravilhas” (“Alice in Wonderland”), que chega aos cinemas nesta sexta-feira, 23.

No épico de aventura e fantasia, Depp é o Chapeleiro Maluco que vive no mundo subterrâneo onde Alice (Mia Wasikowska) vai parar, já adulta, quando foge do pedido de casamento, uma vez que não concorda com a aristocracia inglesa onde vive. Como já esteve no local na infância, ela reencontra os amigos Coelho Branco (com voz de Michael Sheen), os irmãos Tweedledee e Tweedledum (Matt Lucas), Domindongo (voz de Barbara Windsor), a Lagarta (voz de Alan Rickman), o Gato Risonho (voz de Stephen Fry). Durante o passeio naquele mundo, Alice terá de encontrar seu destino e acabar com o reino de terror da Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), que sempre ordena que a cabeça de quem quer que seja e que atrapa­lhe o seu caminho seja cortada, e recuperar a espada da Rainha Branca (Anne Hathaway).

Embora a história já seja conhecida, uma vez que é baseada nos livros de Lewis Carroll, o longa criado por Tim Burton apre­senta um show de imagens coloridas (que poderão ser vistas nas versões 35 mm, 3D e Imax 3D, em um total de 400 cópias, sendo 80% dubladas e 20% legendadas), mas sem deixar que o visual sobreponha a história ou a interpretação competente dos atores ao vivo e das animações que se misturam com os reais.

Mesmo que a história tenha sido escrita por Carroll no final do século 19, permanece interessante até hoje, uma vez que tanto as personagens como toda a mise-en-scène mexe com a imaginação das pessoas e discute sobre amadurecimento e escolhas. Este, portanto, é um dos motivos de o conto de fadas permanecer vivo. E com a opção em três dimensões, ou seja, com o uso dos óculos especiais, o show de imagens fica ainda mais incrível.

Como não podia ser diferente, há a luta do bem contra o mal, mas mesmo as personagens boas são caricatas. Esse tipo, vale lembrar, é a especialidade da dupla Burton-Depp. O que se vê na tela, portanto, é uma reunião de esquisitices, um colorido sem fim, mas sobretudo uma história bem contada com um visual incrível.

Se Johnny Depp incorpora com des­treza seu personagem, assim como Helena Bonham Carter está impagável, o mesmo não acontece com a atriz responsável pela protagonista – lhe falta carisma. E não convence o espectador, é artificial demais.

Apesar dos problemas da fita, “Alice no País das Maravilhas” tem agradado, pois já conquistou, nos Estados Unidos, a maior bilheteria de abertura (de um filme que não é sequência) de todos os tempos, arrecadando US$ 116,3 milhões. Os investimentos de marketing, obviamente, contribuem para esse buchicho (até mais que a qualidade do filme, vale di­zer), e a história não vive apenas dentro da tela, mas também fora dela.


About the author

Jornalista, com pós-graduação em Crítica de Cinema

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