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Praia do Futuro – Entrevista

08 maio 2014

written by Memória Cinematográfica

Praia do Futuro - Entrevista

“A resposta honesta é tanto faz.” Foi assim que Wagner Moura, conhecido por ser o Capitão Nascimento do longa “Tropa de Elite“, de José Padilha, respondeu aos jornalistas, durante a coletiva de imprensa realizada em São Paulo, se as pessoas vão se chocar com sua atuação no filme “Praia do Futuro”.

Na trama, dirigida por Karim Aïnouz (“O Céu de Suely”), Moura faz o papel de Donato, um guarda-vidas que se apaixona por um piloto de motocross alemão (Clemens Schick, de “007 – Cassino Royale“). Além de cenas de sexo, os dois aparecem em nu frontal.

“O Brasil é um país conservador. É claro que me tornei um ator popular e conhecido por um personagem, mas é um preconceito muito grande”, afirma Moura. “Esse talvez seja o personagem mais parecido com o Capitão Nascimento que eu já fiz na vida. A ideia que o homossexual não pode ser viril, não pode ser herói, andar de moto, é uma ideia preconceituosa, um pensamento frágil, na minha opinião.”


Schick corrobora com a opinião de Moura e vai além: “Vivemos em um mundo em que ser gay não é normal. Por que quando a gente faz um papel de heterossexual as pessoas não perguntam: Como você se preparou para fazer o papel de um heterossexual?”.

Para viver o guarda-vidas, Moura se preparou por dois meses antes das filmagens, que se intercalaram entre a Alemanha e o Brasil. “Às vezes o produtor acha que ensaiar é gastar dinheiro, mas ensaio é fundamental, porque o cara vai poupar dinheiro lá na frente, vai evitar problema”, afirma. “A gente ensaiou dois meses e fiz um treinamento violento com os guarda-vidas na praia do Futuro [em Fortaleza, CE]. E dali veio o bronzeamento.” Esse treinamento também deu o tônus do seu personagem.

Outro benefício do ensaio foi treinar o sotaque cearense. Wagner Moura é baiano. “Talvez para a plateia de São Paulo o sotaque nordestino seja tudo igual, mas não é. Eu tenho muita raiva quando alguém vai à Bahia e faz um sotaque ‘não sei o que’ [e imita]. Eu fico puto! Então, queria que o sotaque cearense ficasse bom.”

E ficou. Além dos guarda-vidas, Moura contou com o ator cearense Jesuita Barbosa (“Tatuagem”) para que a construção dos diálogos tivesse o sotaque pretendido.

“Praia do Futuro” fala de amor, reencontro, acerto de contas, medo, tristeza. Donato é tratado como héroi pelo irmão mais novo, Ayrton – o nome é em homenagem ao piloto Ayrton Senna. Ele chama o irmão de “Aquaman” e acredita que nada de mal poderia acontecer com ele no mar. A conversa se dá após Donato mergulhar para socorrer dois banhistas surpreendidos pela correnteza. O piloto alemão Konrad (Schick) é salvo, mas o amigo, Heiko, desaparece nas águas agitadas do mar cearense. Quando vai dar a notícia a Konrad, o guarda-vidas e o piloto desenvolvem uma paixão.

Leia o texto completo no site da GQ.


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