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O Melhor Lance

17 jul 2014

written by Memória Cinematográfica

O Melhor Lance

A julgar pela primeira sequência de O Melhor Lance (The Best Offer)”, pode-se dizer que o personagem Virgil Oldman, vivido pelo brilhante Geoffrey Rush (“O Discurso do Rei“), é um homem solitário. Especializado em obras de arte e leilões milionários, ele comemora seu aniversário sozinho em um restaurante.

Logo a plateia descobre que ele tem dificuldades de relacionamento, veste luvas para não se contaminar ao se encostar nos outros e, veja só, mesmo que já tenha mais de 50 anos, nunca esteve com uma mulher.

A carência quanto a isso, porém, ele resolve dentro de uma grande sala escondida em sua casa, repleta de quadros nas paredes, do chão ao teto. A cena, aliás, é uma das mais comoventes da produção. Os quadros, arrematados nos leilões que ele mesmo promove e com ajuda de seu inseparável amigo, têm uma peculiaridade: todos são retratos de mulheres.

Mas sua vida pacata e sem graça começa a mudar quando a jovem Claire Ibbetson (Sylvia Hoeks) lhe telefona e pede que faça uma avaliação das antiguidades que possui em casa, herança de seus pais. Claire é filha única e pretende se livrar de uma enorme quantidade de quadros e mobiliário que não tem utilidade para ela.

Claire vive enclausurada. Ela sofre de uma doença que não a deixa sair de casa, uma espécie de fobia que a afasta das ruas e das pessoas. E em nenhuma das reuniões que teve com o especialista em leilão, apareceu no local – ela só conversa com ele através da porta.

A curiosidade de saber quem é a tal moça misteriosa aumenta, criando no personagem de Rush ainda mais vontade de estar ali. Com a ajuda de Robert (Jim Sturgess, de “Quebrando a Banca”), seu amigo capaz de consertar qualquer coisa, ele vai conquistar a amada. E deixa de lado a sisudez, a obsessão por limpeza e até mesmo seu lado desconfiado. A entrega é total.

Escrito e dirigido pelo cineasta italiano Giuseppe Tornatore, o longa-metragem faz com que o espectador também fique curioso de conhecer aquela história. É fácil acreditar naquilo que é mostrado, pois o realizador constrói os personagens e todo o cenário de forma eficiente. O espectador, aliás, sabe a história pela visão do leiloeiro. E torce por ele.

As canções, sempre belas, são novamente de autoria do conterrâneo Ennio Morricone, cuja parceria foi iniciada em “Cinema Paradiso”, de 1988. Mas diferentemente deste ou de “Baarìa“, de 2010, este não conta sobre sua terra natal ou sobre sua história que se mistura com a das famílias italianas. O Melhor Lance” é interpretado por atores de diferentes nacionalidades, como o australiano Rush e o inglês Sturgess, e se passa em diferentes cidades da Europa: Praga, Viena, Bolzano, Parma, Roma e Milão.

Além de solidão, “O Melhor Lance” discute o amor emoldurado pela arte e observa com lentes de aumento o comportamento humano.

Texto originalmente publicado na GQ.

 

 


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