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Magia ao Luar

26 ago 2014

written by Memória Cinematográfica

Magia ao Luar

Anualmente, os fãs de Woody Allen esperam ansiosamente por mais um de seus filmes. Desde 1966, quando dirigiu “O Que Há, Tigresa?”, ele produz um filme por ano (com raríssimas ausências, é verdade). Para se ter uma ideia, seu filme de 2014, “Magia ao Luar” (“Magic in Moonlight”), nem chegou aos cinemas direito (no Brasil, estreia dia 28) e o realizador já está filmando um novo projeto que será lançado em 2015. Ainda não há nome, nem data de lançamento.

Obcecado por filmar em Nova York, onde mora com a família, ele já não encontrava financiamento para seus projetos perto de casa. Decidiu filmar na Europa em 2005, quando fez “Ponto Final – Match Point” na Inglaterra. Lá, fez ainda outros dois filmes na sequência (“Scoop – O Grande Furo” e “O Sonho de Cassandra”). Foi para a Espanha filmar “Vicky Cristina Barcelona” e só em 2009 voltou a rodar em Nova York (“Tudo Pode Dar Certo”).

Para a Big Apple ele ainda não voltou desde então. Na sequência, fez “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” de novo na Inglaterra, “Meia-Noite em Paris”, na França, e “Para Roma com Amor”, na Itália. Nos Estados Unidos, em São Francisco, filmou o ótimo “Blue Jasmine” e, na estreia deste ano, a locação para seu filme voltou a ser no Velho Mundo.

Mr. Allen, aos 79 anos, escolheu o sul da França para filmar a sua nova história. E, assim como em “Meia-Noite em Paris”, ele volta no tempo e vai parar nos anos 1920, quando um mágico e ilusionista Stanley (Colin Firth, de “O Discurso do Rei”) é contratado para desmascarar uma jovem, Sophie (Emma Stone, de “Histórias Cruzadas”), que afirma ser médium. Na casa da tia dele, Vanessa (Eileen Atkins, de “As Horas”), os dois vão conversar e chegar a alguma conclusão.

Firth faz o papel de um chinês, todo caracterizado, com bigode engraçado, que se apresenta em outros países, como a Alemanha. Em meio aos jardins da região da Provença, carros antigos e roupas de época, os atores com clara diferença de idade, como é bastante comum nos filmes do realizador, deslizam por frases engraçadas, cheias de sarcasmo e ironia, característica dos diálogos de Allen.

A personagem de Emma é colocada à prova, quando o cara mais velho tenta mostrar que ela é uma garota aproveitadora e não passa de um rostinho bonito. Assim, ela precisa enfrentar a desconfiança do tal mágico e as investidas em forma de serenatas vindas do multimilionário que está tentando conquistar – puro interesse, como passa a ser óbvio.

Em “Scoop”, Woody Allen interpreta Sid Waterman, um mágico atrapalhado que se comunica com um jornalista morto para ir atrás de um serial killer. O enredo de “Magia ao Luar” é bem diferente, mas lembra alguma coisa. Aqui ele mostra que é bobagem acreditar no além, nas coisas que não se pode ver e provar.

Assim como investiu em filmes mais leves depois de “Match Point”, de “Vicky Cristina”, “Meia-Noite em Paris” ou agora, depois de “Blue Jasmine”, filme que deu a Cate Blanchett o Oscar de melhor atriz, a impressão que se tem é que o cineasta pode ter perdido um pouco a mão, que está fora de forma. Mas, conhecendo a filmografia de Allen, se tem a certeza que não dá para ser gênio o tempo inteiro. E um Woody Allen mediano, como se diz, ainda é bem melhor do que muito filme em cartaz.

Texto originalmente publicado na GQ.


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