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No Olho do Tornado

27 ago 2014

written by Memória Cinematográfica

No Olho do Tornado

História apocalíptica, melodrama e ação. A isso, inclua muitos efeitos especiais. Pronto, esta é a fórmula do filme-catástrofe. Lembre-se, por exemplo, de “Inferno na Torre”, “O Destino de Poseidon”, “Twister”, “Independence Day”, “O Dia Depois do Amanhã”. Com estreia prometida para 28 de agosto, “No Olho do Tornado” (“Into the Storm”) é um desses filmes que indica a destruição de uma cidade inteira.

A trama se passa na cidade de Silverton, onde pesquisadores e cinegrafistas preveem a chegada de ciclones. Mas os especialistas estão atrás desses furacões para conhecer como eles se formam e querem gravar tudo em vídeo para dar origem a um documentário.

Ao mesmo tempo, e daí entra o apelo sentimental da trama, é quando conta a história da família de Gary (Richard Armitage, de “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada”), viúvo, pai de dois filhos adolescentes, que trabalha na escola do bairro. No dia da formatura da turma, quando todos estão recebendo as homenagens, uma forte chuva os fazem entrar para o abrigo. Um dos filhos, porém, sai escondido para ajudar a menina dos seus sonhos no trabalho da escola.

Os caçadores são liderados por Pete Moore (Matt Walsh, de “Ted”) que, para seu documentário, criou Titus, um veículo blindado equipado com janelas à prova de balas, guincho capaz de puxar até 12 toneladas e uma central climática completa.

A estudiosa que acompanha a equipe, Allison (Sarah Wayne Callies, de “The Walking Dead”), conversa, a cada duas horas, com a filha de cinco anos que deixou com a mãe três meses antes para terminar as filmagens. E talvez não volte para casa.

As imagens dos tornados são bem feitas, embora sejam inseridas em meio a um enredo previsível. Não há vacas voando, como acontece em “Twister”. Os efeitos aqui são mais realistas. Era de se esperar, visto que a direção do filme é de Steven Quale (“Premonição 5”), responsável pelos efeitos especiais de “Avatar” e “Titanic”. Feito em primeira pessoa, o filme faz com que a plateia assista em tempo real às imagens transmitidas pela equipe caçadora de tornados. O drama de conseguir sobreviver, voltar para encontrar a filha pequena ou até mesmo reencontrar o filho preso nos escombros aproxima o espectador dos personagens.

E se é para se sentir de fato no olho do furacão, como foi a intenção do produtor Todd Garner desde o início do projeto, conforme informa o material de divulgação para a imprensa, a versão 4D é sensacional. O movimento na cadeira no cinema é a primeira coisa que se percebe, bem como os raios da chuva que está chegando. Na sala, eles são reproduzidos pelo sistema de iluminação.

Nos primeiros minutos do filme a poltrona balança bastante, é preciso se segurar, já que não há cinto de segurança. Mas depois o ritmo diminui (ou será que é você que se acostuma?). Ao longo da projeção, ainda é possível sentir vento forte, frio e chuva na cara a ponto de embaçar os óculos dos míopes. A diversão está garantida. Em uma das cenas, um personagem é levado pelo furacão e, na plateia, sente-se a sensação do balanço, tal como em montanhas-russas. Emoção pura.

O movimento e os efeitos reais vão e vêm, não duram o tempo todo. E, como fazem parte do contexto do enredo, não chegam a distrair o espectador. Dá pra rir, até.

Em uma sessão 4D, porém, dispense a pipoca e o refrigerante. Não dá pra comer ou beber como se estivesse no olho do furacão. Aqui o cinema como entretenimento cumpre à risca a sua proposta.

Texto originalmente publicado na GQ.


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