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Chaplin ao ar livre

19 nov 2014

written by Memória Cinematográfica

O Circo


Uma das ações de encerramento da 38° Mostra Internacional de Cinema foram as projeções, ao ar livre, do curta-metragem “Corrida de Automóveis para Meninos” (1914) e do longa “O Circo” (1928), de Charles Chaplin.

O primeiro, dirigido por Henry Lehrman, foi lembrado por ter sido a primeira vez que o personagem Carlitos, criado por Chaplin, aparece nas suas histórias. Neste ano, completou cem anos. O segundo, foi o último filme mudo do diretor –no ano seguinte, o mundo assistiu a “O Cantor de Jazz”, que marca o início do som no cinema.

A grande atração, claro, além dos filmes projetados no paredão do auditório Ibirapuera, foi a execução da música ao vivo pela Orquestra Experimental de Repertório, com regência do maestro Carlos Moreno.

Embora os filmes fossem mudos, a trilha sonora foi refeita pelo próprio realizador na década de 1960. Na ocasião, a película ganhou uma cópia restaurada.

O público presente no parque Ibirapuera, que não se importou com a forte chuva que caiu na cidade (depois de dias de seca), se emocionou também com a canção “Swing Little Girl”, cantada por Chaplin, na época com 79 anos. Em 2002, o músico Timothy Brock supervisionou a restauração desta nova trilha para ser tocada ao vivo, trabalhando com os manuscritos do Acervo Chaplin em Montreux, na Suíça.

Sentadas no gramado com capas de chuva improvisadas ou em pé, centenas de pessoas se emocionaram com as cenas projetadas. E que alegria saber que um filme de cem anos atrás ainda é capaz de provocar riso. A falta de diálogos, aliás, não foi empecilho para pessoas de diferentes idades gargalharem e comentarem as cenas como se estivessem na sala de suas casas. Muitas estavam vendo Chaplin pela primeira vez. Outras, chegaram ali para rever as suas aventuras.

Nem a chuva nem os comentários durante o filme foram problema. Quem esteve ali, diante daquelas obras, incluindo a deslumbrante performance da orquestra, pôde registrar na memória o momento incrível. E agradecer por mais este espetáculo mágico que é o cinema.

 

 


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