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Paris Pode Esperar

25 jul 2017

written by Memória Cinematográfica

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Tem um quê de pessoal o longa-metragem “Paris Pode Esperar” (“Paris Can Wait), escrito, produzido e dirigido por Eleanor Coppola.

Com esse sobrenome, já se tem um ideia de quem é ela. A realizadora é mulher do cineasta Francis Ford Coppola, o todo-poderoso autor da trilogia “O Poderoso Chefão”, entre outras obras.

Na trama, a protagonista, Anne, vivida por Diane Lane (ótima!), é casada com um produtor cinematográfico, Michael, interpretado por Alec Baldwin (de “Blue Jasmine“). Os dois estão em férias em Cannes, no sul da França, e o marido não sai do telefone. Mesmo em férias, está o tempo todo fazendo contatos, trabalhando, ausente…

Mas a vida dela começa a fazer sentido quando Michael vai para uma reunião em outro país e ela não pode ir junto. Então, o francês Jacques (Arnaud Viard), sócio do marido, se prontifica a levá-la de Cannes a Paris em seu Peugeot “vintage”.

A viagem poderia durar sete horas, mas acaba levando bem mais tempo. Na visão de Jacques, Paris pode esperar. Ele vai parando de cidade em cidade, num pinga-pinga de encher os olhos pelas locações lindas e pela oferta de passeios.

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A produção de Eleanor Coppola transforma-se em um road-movie divertido, que dá água na boca do espectador. Não apenas pelos pratos que eles degustam nos restaurantes em que param no meio do caminho, mas também pelas paisagens incríveis e pelas oportunidades de conhecer as cidades do interior da França de maneira despretensiosa e sem pressa.

O bom humor dos personagens também está presente, fazendo com que o longa torne-se leve e divertido.

 

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De acordo com o material de divulgação para a imprensa, a trama foi inspirada em um viagem que Eleanor fez nos mesmos moldes: estava em Cannes com Francis, não pôde ir para o Leste Europeu com ele e acabou indo de carona para Paris de carro. O trajeto levou 40 horas e ela teve a oportunidade de conhecer algumas cidades nos arredores.

Ao chegar em casa, no norte Califórnia (EUA) –eles têm uma vinícola em Napa Valley–, ela contou a aventura a um amigo, que a encorajou a transformar a história em um filme.

A narrativa é mesmo divertida. Não se pode dizer que é um grande filme, mas é despretensioso e, ao contrário do que se possa pensar (que ela precisa superar o marido), Eleanor não é cobrada por isso.

O que vemos na tela é que a realização do filme é uma forma libertadora de ela mostrar que também pode escrever e dirigir o seu próprio filme –se ela assim o quiser. Não precisa viver à sombra do marido, mesmo que isso tenha sido descoberto aos 80 anos de idade. Se Paris pode esperar, a vida também pode.

PS: Este foi o último filme a que assisti antes de ir para a maternidade. Foi numa sessão no Espaço Itaú Pompeia, na tarde de sexta-feira, dia 23 de junho de 2017. Agora, quase um mês depois de dar à luz, o cinema também pode esperar.

https://www.youtube.com/watch?v=Dklz3v8bx9o&feature=youtu.be


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