Subscribe via RSS

Roda Gigante

05 fev 2018

written by Memória Cinematográfica

Roda Gigante

 

Roda Gigante

Em meio a tantas denúncias de assédio em Hollywood, como os casos de Harvey Weinstein e Kevin Spacey, Woody Allen não passaria em branco. Ele já foi julgado informalmente por ter se casado com a enteada, Soon-Yi Previ, filha adotiva de Mia Farrow, e, recentemente, sua filha adotiva, Dylan Farrow, foi aos jornais acusá-lo de assediá-la sexualmente quando ela tinha apenas sete anos –em 1992, o caso foi levado para a polícia, investigado e não foi provado nada. Com tantas atrizes acusando gente do mundo do cinema, Dylan achou um desaforo as pessoas continuarem prestigiando o cineasta e trabalhando com ele, sendo que é mais um molestador.

Algumas atrizes, como Rebecca Hall e Mia Sorvino, se manifestarem em favor de Dylan e disseram se arrepender de trabalhar com Allen –e não pretendem fazê-lo novamente. Outros raros, como Alec Baldwin, manifestou seu apoio ao diretor e disse que não passou momentos melhores na vida como quando filmou “Para Roma com Amor”, com o cineasta.

Deixando o julgamento para os tribunais (ninguém aqui está trabalhando para julgar a vida pessoal de Woody Allen, mas sim seu mais recente filme), vamos falar de “Roda Gigante” (“Wonder Wheel”), este belíssimo filme e recém-lançado.

O longa-metragem se passa na década de 1950, em Coney Island. Na trama, a quarentona atriz Ginny (Kate Winslet) é casada com Humpty (James Belushi), um operador de carrossel no parque de diversões. Porém, ela acaba se apaixonando pelo salva-vidas Mickey (Justin Timberlake) ao mesmo tempo em que sua enteada, Carolina (Juno Temple), também cai de amores por ele. A confusão está formada, mesmo que de forma ainda não explícita.

Wonder-Wheel-meio

Ginny, que também tem um filho do primeiro casamento, precisa dar um basta nas molecagens que ele faz ao atear fogo em tudo o que vê –incluindo o consultório da psicóloga que frequenta para entender o motivo de ser um incendiário.

De certa forma, ela também coloca lenha na fogueira ao se envolver com o salva-vidas, mesmo sendo casada. É frustrada por não trabalhar como atriz, mas sim como garçonete do restaurante perto de onde moram, na praia de Coney Island. O casal com o menino vivem em uma pequena casa em cima da barraca de tiros e em frente à roda-gigante. E, vendo a roda girar, vai girando também o rumo de suas vidas e as confusões.

A fotografia de Vittorio Storaro é excepcional, uma viagem ao passado com cores vibrantes e uma luz encantadora.

Mais uma vez Woody Allen se supera ao exorcizar os seus problemas por intermédio de seus personagens. O alter ego da vez é a uma moça bela, talentosíssima, que faz o papel de mãe e esposa, mas que não abre mão de ser amada e desejada por um belo rapaz. Porém, ela não se dá por satisfeita quando a concorrência aperta.

O ponto alto da trama é a interpretação de Kate Winslet, principalmente na sequência em que ela lamenta com Mickey a sua escolha.

No ano anterior, Allen lançou “Café Society” e já foi um ganho em sua cinematografia, ao contrario, porém, de “Homem Irracional” e “Scoop“. “Roda Gigante” é daqueles filmes para ter na memória e lembrar para sempre, até porque, embora Woody Allen tem lançado um filme por ano, há rumores de que sua próxima produção, em fase de edição, , não seja lançada ao mercado pela distribuidora Amazon -responsável pela série de streaming “Crisis in Six Scenes“. Tudo devido ao movimento #metoo e do prejuízo que seus filmes têm gerado financeiramente. Artisticamente, o não lançamento do longa terá um prejuízo ainda maior.


About the author

Read more posts by


Leave a comment

© 2018 Memória Cinematográfica