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O Amante Duplo

20 jun 2018

written by Memória Cinematográfica

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Somatizar dores, resposta inconsciente do organismo, é bastante comum e, muitas vezes, pode ser resolvido com sessões de psicoterapia. Assim, descobrindo a raiz do problema, fica mais fácil de fazer a dor passar.

Em “O Amante Duplo” (“L’amant Double”), a jovem Chloé (Marina Vacht, de “Jovem e Bela”) vai procurar um psicanalista porque sente dores no ventre. A recomendação foi feita depois de ela passar por exames ginecológicos. No consultório, quem a atende é Paul Meyer (Jérémie Renier, que viveu Pierre Bergé, em “Saint Laurent”), um jovem profissional que está disposto a descobrir, junto com ela, o que causa o tal desconforto.

Porém, o que também não é incomum, com o andar as sessões de terapia, eles acabam se apaixonando. Diante da situação, Paul deixa de atendê-la e pede que ela procure outro profissional para seguir com o tratamento.

 

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O longa-metragem, dirigido e escrito pelo francês François Ozon (“Potiche: Esposa Troféu”), começa com cenas bastante realistas, com situações comuns do dia a dia, além de imagens ousadas, como cenas de sexo e quando Chloé faz ultrassom e exame ginecológico. A paixão dos dois, paciente e terapeuta, também é comum. No entanto, depois que ela começa a frequentar a nova terapia, feita, aliás, de maneira bastante controversa, o filme começa, digamos, a desandar.

Chloé conhece Louis Delord, que seria o irmão gêmeo de Paul, embora ele nunca tenha falado sobre isso com ela. As fantasias vão aumentando a cada sessão e as mentiras também. A duplicidade não está presente apenas na figura dos homens na tela (os irmãos gêmeos). A própria Chloé tem um quê de ambiguidade no seu comportamento, retratada pelo autor com um jogo de espelhos sem fim. Fica bastante claro quando ela chega a um dos consultórios e a imagem mostra ela multiplicada diversas vezes.

Esta é a terceira vez que o diretor trabalha com Renier. Os outros filmes são “Criminal Lovers” e “Potiche: Esposa Troféu”.

Ozon repete a fórmula usada em “Dentro de Casa”, filme no qual o espectador se confunde e não sabe exatamente o que faz parte da trama e o que é fantasia.

Como um perfeito realizador e autor francês, François Ozon segue pela linha do final sem fim certo, ou seja, um desfecho que não é taxativo e deixa o espectador pensar e viver o seu próprio fim. Daí, gostar ou não do método adotado por ele, depende de cada um.

Com estreia apontada para o dia 21 de junho, o longa foi um dos escolhidos para o Festival Varilux de Cinema Francês, além de ter participado da competição oficial do Festival de Cannes 2017.

 


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